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Novas perspectivas no tratamento da síndrome dos ovários policísticos em adolescentes não obesas

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma condição prevalente em meninas adolescentes e mulheres jovens, caracterizada por oligomenorreia e efeitos androgênicos, comumente causada pelo excesso de gordura hepatovisceral decorrente de uma incompatibilidade entre nutrição pré-natal e pós-natal, e suscetibilidade genética.

Muitas dessas pacientes iniciam seu tratamento com contraceptivos orais combinados (COC), o que a longo prazo leva à subfertilidade oligoanovulatória, uso de técnicas de reprodução assistida e gestações com um risco duas a três vezes maior de complicações, como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e parto prematuro, além da possibilidade de sequelas para toda a vida da prole.

Tratamento da síndrome dos ovários policísticos em adolescentes não obesas

Estudo de casos

A mais recente publicação sobre o tratamento da SOP em adolescentes não obesas analisou os resultados combinados de dois estudos piloto em meninas não obesas com SOP, com idade média de 15/16 anos, e comparou os efeitos dos tratamentos por um ano, com contraceptivo oral combinado (COC) e com uma combinação de baixa dose de espironolactona (diurético poupador de potássio, antiandrogênico e antimineralocorticoide), pioglitazona e metformina (sensibilizadores de insulina), SPIOMET, visando o excesso de gordura ectópica.

O tratamento com COC e SPIOMET reduziu o excesso de andrógeno comparativamente e não teve efeitos diferenciais na massa magra ou gorda do corpo total. No entanto, SPIOMET foi acompanhado por uma normalização mais ampla com efeitos positivos na gordura hepatovisceral e na insulina circulante. Em média, houve trêz vezes mais ovulações pós-tratamento com SPIOMET do que com os COCs, sendo a normovulação observada apenas após SPIOMET, enquanto a anovulação foi dez vezes mais prevalente pós-COCs.

Conclusão

Os resultados combinados dos estudos randomizados em meninas adolescentes não obesas com SOP indicam que o tratamento com espironolactona, pioglitazona e metformina levam a uma condição geral mais saudável e mais sensível à insulina, com redução da adiposidade ectópica, e é seguido por uma taxa de ovulação mais normal do que com o tratamento com contraceptivos orais combinados (estrogênio e progesterona).

Os presentes resultados ainda precisam ser confirmados com uma maior análise populacional e em populações mais diversificadas, inclusive em meninas com obesidade, diferentes etnias e com outras exposições ambientais. Fonte: https://pebmed.com.br/novas-perspectivas-no-tratamento-da-sindrome-dos-ovarios-policisticos-em-adolescentes-nao-obesas/

Autora: Gabriella Iuorno Hayasaki

Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Federal de Bonsucesso ⦁ Graduação em Medicina pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques (FTESM) ⦁ Professora da disciplina de Tocoginecologia da Faculdade de Medicina Souza Marques ⦁ Médica Ultrassonografista na Maternidade Dr Mário Niajar⦁ Oficial Médica da Subseção de Clínica Obstétrica do Hospital Central do Exército

Referência bibliográfica:

· IBÁÑEZ, L; DÍAZ, M; GARCÍA-BELTRÁN, C; et al. Toward a Treatment Normalizing Ovulation Rate in Adolescent Girls With Polycystic Ovary Syndrome. Journal of the Endocrine Society, 2020.

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