Em uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), com apoio da Myralis, será apresentado um documento científico que reúne evidências e recomendações sobre dez nutrientes, suas doses por faixa etária e aplicações clínicas, considerando as particularidades de recém-nascidos a termo e prematuros. O material abordará desde a importância desses nutrientes para o desenvolvimento cerebral até as indicações de suplementação em situações específicas.
Principais nutrientes e suas implicações para o neurodesenvolvimento
A publicação contemplará dez nutrientes e suas contribuições para o desenvolvimento infantil:
- DHA: participação na estrutura e no funcionamento do sistema nervoso central.
- Colina: papel na formação das membranas celulares e na neurotransmissão.
- Oligossacarídeos do leite humano (HMOs): funções relacionadas à modulação da microbiota intestinal e à comunicação entre intestino e cérebro.
- Vitamina A: participação na diferenciação celular, na função visual e na resposta imune.
- Vitamina D: atuação no metabolismo ósseo e em processos do desenvolvimento neural.
- Vitamina K: papel essencial na coagulação e na prevenção da doença hemorrágica do recém-nascido.
- Ferro: importância para a mielinização, o metabolismo energético cerebral e o desenvolvimento cognitivo.
- Zinco: atuação em processos de crescimento, diferenciação celular e função neurológica.
- Iodo: contribuição para a síntese dos hormônios tireoidianos, fundamentais ao desenvolvimento cerebral.
- Vitaminas do complexo B: participação no metabolismo energético, na síntese de neurotransmissores e em outras funções neurológicas.
Como aplicar o conhecimento na prática pediátrica
Para cada nutriente, o documento apresentará quatro dimensões fundamentais para apoiar a avaliação pediátrica:
- Importância fisiológica: o papel de cada nutriente no desenvolvimento cerebral e em outras funções essenciais.
- Evidências científicas: o que os estudos disponíveis demonstram sobre eficácia, segurança e limitações.
- Dose por faixa etária: recomendações de ingestão e suplementação conforme a fase da infância.
- Aplicação prática: orientações para incorporar o conhecimento à rotina clínica e à tomada de decisão.
Temas essenciais para a atualização da prática pediátrica
Além de reunir as evidências sobre os dez nutrientes, a publicação aprofundará questões relevantes para a prática pediátrica:
- Conduta universal versus individualizada: a importância de diferenciar situações em que a adequação dietética e o acompanhamento clínico são suficientes daquelas que exigem suplementação.
- Atualização da diretriz de ferro da SBP 2026: as mudanças nas recomendações para lactentes a termo e prematuros.
- Comparativo entre recém-nascidos a termo e prematuros: as diferenças nas necessidades nutricionais e nas condutas recomendadas para cada grupo.
- Iodo e complexo B: atenção especial a grupos de risco e a deficiências que podem passar despercebidas na avaliação clínica.
- Limites da suplementação: o que as evidências disponíveis permitem recomendar e em quais situações a intervenção não é indicada.
Necessidades específicas, cuidado individualizado
As necessidades nutricionais variam conforme a idade gestacional, as condições clínicas, a alimentação e os fatores de risco de cada criança. Por isso, a avaliação individualizada é essencial para identificar possíveis inadequações e orientar intervenções seguras.
Com atenção diferenciada aos recém-nascidos a termo e aos prematuros, o documento buscará organizar o conhecimento científico e transformá-lo em orientações aplicáveis à prática pediátrica.
O conteúdo completo estará disponível em breve no Educa+, com evidências e recomendações para apoiar o pediatra na avaliação nutricional e no cuidado com o neurodesenvolvimento infantil nos primeiros dois anos de vida.
Referência
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Departamentos Científicos de Neonatologia e Suporte Nutricional (Gestão 2025-2028). Nutrientes com relevância científica para o neurodesenvolvimento infantil nos primeiros dois anos de vida. Documento Científico nº 70.